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Espinha ereta

Espinha ereta

Se você é do tipo que trabalha horas em posição incorreta, nunca está atento à postura e, quando chega em casa, cai de qualquer jeito no sofá, você também é sério candidato a ter problemas de coluna. Dor nas costas causada por má postura na realização de atividades cotidianas é um problema que afeta pessoas de todas as idades. Um estudo realizado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) comparou a reeducação postural global (RPG) com a série de Williams, o método mais clássico para o tratamento de dor nas costas. Ponto para a RPG, técnica criada na década de 1970 pelo fisioterapeuta francês Philipe Souchard.

Na técnica tradicional, o paciente, atendido individualmente ou em grupo, repete uma série de movimentos indicada pelo fisioterapeuta. “Esses exercícios, específicos para a região do corpo na qual a pessoa sente dor, são sempre os mesmos, não importando o sexo, a idade e o biotipo do paciente”, afirma o fisioterapeuta Sandro Rogério dos Santos, autor da pesquisa. Já na RPG, as sessões são sempre individuais e os exercícios levam em conta as características de cada pessoa. O paciente, colocado em posturas estáticas, se mantém nessas posições por períodos determinados. Assim, simultaneamente, ele fortalece músculos fracos e alonga os retraídos. “Diferentemente da série de Williams, a RPG trabalha com todos os segmentos do corpo, e não apenas com aqueles em que a pessoa se queixa de dor”, comenta Santos.

O pesquisador acompanhou 40 pacientes que, há pelo menos três meses, sofriam de dor lombar crônica causada por postura incorreta. Metade deles participou de 20 sessões de série de Williams. Os outros 50% fizeram igual número de sessões de RPG. As pessoas classificaram a dor que sentiam antes e depois dos tratamentos através de uma escala que ia da ausência de dor à dor insuportável, capaz de gerar limitações funcionais. Como cada resposta estava associada a uma pontuação, foi possível quantificar os resultados. “Os pacientes em ambos os tratamentos relataram alívio da dor nas costas”, afirma Santos. “Mas, depois da primeira sessão, essa melhora foi 40% superior no grupo de RPG. E, ao final das 20 sessões, as pessoas que fizeram RPG obtiveram resultados 70% melhores”, diz.

No grupo de RPG, além do alívio da dor lombar, houve melhora da postura dos pacientes. “A correção da má postura ajuda a prevenir a reincidência das dores”, lembra Santos. Segundo o fisioterapeuta, embora os pacientes que participaram da pesquisa tivessem entre 18 e 40 anos, a técnica da RPG é indicada para pessoas de qualquer idade. “Na clínica onde trabalho, tenho uma paciente de 90 anos que faz RPG”, conta.

Antes de procurar uma clínica que ofereça RPG ou qualquer outro tratamento para problemas na coluna, o paciente precisa consultar um profissional. “É o médico quem faz o diagnóstico do problema e prescreve o tratamento adequado”, explica o ortopedista Luis Cláudio Schettino, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Quando o caso requer fisioterapia, a prescrição médica indica o problema que deve ser corrigido, como um desvio da coluna ou uma dor lombar, por exemplo. A partir dessa prescrição, o fisioterapeuta habilitado aplica o método ao paciente. “Indico a RPG para meus pacientes, e eles têm tido bons resultados”, diz Schettino. Outro médico que recomenda a RPG é José Sérgio Franco, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. “Trata-se de uma técnica muito útil”, afirma.

Quem já experimentou a RPG aprova o método. Desde a juventude, a arquiteta Rita de Cássia Ávila de Barros, hoje com 56 anos, sofria de problemas na coluna. Porém, a motivação para fazer RPG só surgiu há três anos, quando Rita se tornou avó. “Por causa das dores nas costas, eu não conseguia segurar meu neto”, lembra. Aconselhada por um ortopedista e por um fisiatra, Rita buscou o tratamento com RPG. “Eu não acreditava que a técnica pudesse me ajudar, mas estava muito enganada. Minha qualidade de vida melhorou 500%”, conta. Atualmente, Rita consegue brincar com o neto e não precisa mais recorrer aos analgésicos. “Com a RPG, aprendi a manter a postura correta e a controlar a respiração. A técnica devolveu minha mobilidade”, comemora Rita, que não procura o método fisioterápico apenas em caso de emergência. “Como tenho artrose, faço uma série de 10 sessões de RPG pelo menos uma vez por ano, para prevenir aquelas dores insuportáveis”, diz.

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